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Casa da Cultura – Identidade Histórica e Cultural

A presença do casarão na cidade de Itapeva nos reporta para os tempos em que a cidade era denominada Faxina, com todo o seu encanto e sofisticação, no entanto é preciso lembrar que por ser um imóvel antigo vem sofrendo com a ação do tempo e do homem.

A Casa da Cultura Cícero Marques vem sendo notícias nos últimos anos, pois a população exige dos órgãos públicos a sua restauração e o tombamento como patrimônio histórico. A atual administração da Secretaria Municipal da Cultura e Turismo está engajada em viabilizar os anseios da população itapevense, buscando recursos para que isso ocorra, haja vista a importância da Casa da Cultura para a formação da identidade histórica da cidade.

Não apenas por ser uma casa antiga, mas também por ser uma casa onde passaram várias famílias, até chegar ao poder público, assim sendo nos permite afirmar que se trata de um imóvel com muitas lembranças familiares, vividas por seus inúmeros proprietários, que têm as suas histórias entrelaçadas com a História do Município, sendo, portanto o Casarão um símbolo de Itapeva.

O casarão está localizado na Rua Martinho Carneiro, número 177, esquina com a Rua Pires Fleury – Centro, conservando características Neoclássicas apesar das constantes reformas. Segundo Letícia Spalluto de Barros as paredes internas foram alteradas de acordo com os diversos usos que passou o prédio, é um exemplar que possui alcovas com grandes salas para frente e serviços para o fundo.

O prédio foi construído em 1881 tendo como proprietário o Coronel Donato de Camargo Melo e sua esposa Maria Carneiro Camargo, sendo posteriormente donos da Fazenda Pilão d’Água (06/08/1894). Na fachada da casa têm as iniciais DCM (Donato de Camargo Melo) e o ano de 1881. O imóvel foi construído em Taipa de Pilão (barro socado), houve modificações ao longo dos tempos, introduzindo a alvenaria para adaptar-se aos diversos usos e finalidades(1).

De acordo com o memorialista Wlademir Wilson de Mattos nesse período ocorriam no salão belos saraus e bailes de época com grandes músicos. Após a morte do Coronel Donato de Camargo Melo no ano de 1900, as propriedades e negócios foram administrados por sua esposa e filhos.

No dia 17 de março de 1914 falece Dona Maria Carneiro de Camargo, deixando os filhos: Cândido de Camargo Melo Sobrinho, Luiz de Camargo Melo e Dona Izabel de Camargo Melo(2) . Os filhos venderam a propriedade da Rua Martinho Carneiro para o Sr. Capm. Lucas Ferraz de Camargo um importante político e comerciante de Itapeva que mudou a sua residência para o local.
“O Sr. Capm. Lucas Ferraz de Camargo transferiu a sua residência para a rua Cel.Martinho Carneiro, em cujo prédio está instalado o cartório do 2º oficio”(3).

Ainda segundo o memorialista Wlademir Wilson de Mattos na porta do casarão pode-se observar as iniciais L.F.C. (Lucas Ferraz de Camargo).
Ele vendeu a propriedade no ano de 1920 para Cel. Adolfo Bueno Pimentel e sua esposa Sinforosa Queiroz Pimentel, ele era um cidadão riquíssimo e de grandes feitos para o progresso da região, foi ele um dos fundadores da cidade de Itaberá, antigamente denominada Lavrinhas. Os dois tiveram apenas um filho o Sr. Leôncio Pimentel casado com Dona Floriza Chaves Pimentel.
Conforme informações do Sr. Wlademir Wilson de Mattos a Dona Sinforosa era uma talentosa pianista, retomando as realizações de saraus com participação de grandes músicos como Olavo de Campos, Joaquim Bento de Oliveira entre outros.
O Sr. Jandir de Abreu Gonzaga relembra com afeto as histórias que seu pai contava:
“... meu pai dizia que quando era pequeno e brincava pelas ruas de Faxina, aproveitava para observar as senhoritas e senhoras elegantemente vestidas e os senhores com seus fraques luxuosos que chegavam ao casarão para apreciar os saraus...”.

Após a morte do Cel. Adolfo Pimentel no dia 16 de março de 1931, deixando muita saudades aos seus familiares e pelas cidades em que passou (4), a casa passa a pertencer ao seu filho Leôncio Pimentel. De acordo com os relatos do Sr. Wlademir Wilson de Mattos ele permaneceu na casa até o dia da sua morte no ano de 1951, ficando a referida casa para os herdeiros que posteriormente venderam para o casal Sr. Antonio Queiroz e Maria Tereza Camargo Queiroz e estes venderam para o Sr. Arlindo Gomes e Dona Maria Aparecida Gabriel Gomes em aproximadamente 1960.
O Sr. Arlindo Gomes e esposa foram os últimos proprietários do casarão, eles também eram donos de terra conhecida como potreiro que originou a Vila Aparecida.

Segundo o Sr. Jandir de Abreu Gonzaga nesse período o casarão foi alugado para a Companhia de Mineração São Mateus que pertencia ao Sr. Alfredo Moreira de Souza, para servir de Sede Esportiva e Social Clube São Mateus Futebol Clube, onde ocorriam bailes, carnaval, festas, etc.
Em 12 de junho de 1969 o então prefeito Jorge Assumpção Schimidt desapropriou o casarão.
“... foi desapropriado e declaro de utilidade pública a fim de serem instalados o Centro de Aprendizado Doméstico e o ambulatório Odontológico do serviço Social da Indústria (Sesi), tudo de acordo com o decreto nº 26/69 de 12 de junho de 1969, da Prefeitura Municipal de Itapeva. Valor: Cr$ 53.225,13 (cinqüenta e três mil duzentos e vinte e cinco cruzeiros e treze centavos) por quanto foi avaliado naquela época” (5).

Depois o prédio foi utilizado como sede da Promoção Social, e pela ADESAI (Guarda Mirim de Itapeva), e por fim tornou-se o Centro Cultural de Itapeva pela lei nº 151, em 14 de fevereiro de 1986, sendo subordinada a Secretaria Municipal da Educação e Cultura.
Foi inaugurada no sábado do dia 02 de agosto de 1986, levando o nome de “Cícero Marques”, no entanto o nome era apenas uma homenagem nada oficial, a fita inaugural foi desatada pelo prefeito da época Antonio Guilherme Brugnaro, sob os acorde da Lira Itapevense, o prédio destinava-se a fornecer espaço para o teatro, museu histórico, biblioteca, sala de artesanato e sala de exposições (6).
De acordo com o jornal Folha do Sul do dia 02 a 08 de setembro de 2006 na reportagem feita pela escritora Maria Olinda Rodrigues, foi através do decreto 583/87 nomeado para o cargo de Presidente da Casa da Cultura o Sr. Walter Gemignani que era o então Secretário de Educação e Cultura, tendo como Vice-Presidente o professor e jornalista Davidson Panis Kaseker, assumiram no dia 12 de fevereiro de 1987.
Somente a partir de 08 de abril de 1996 através da Lei 870/96, o centro Cultural de Itapeva recebe o nome oficialmente de Casa da Cultura Cícero Marques (7).

(1) Jornal Folha do Sul, 02 a 08/09 de 2006

(2) Jornal O Tempo – 22/03/1914 disponível no acervo do IHGGI

(3) Jornal O Tempo – 21/06/1914 disponível no acervo do IHGGI

(4) Jornal O Tempo – 22/03/1931 disponível no acervo do IHGGI

(5) Silvio Alberto Camargo Araújo e Silvia Corrêa Marques tiveram acesso ao Registro de Imóveis da Comarca de Itapeva – matricula nº 7861

(6) Jornal Tribuna Sul Paulista – 05/08/1986 – disponível no acervo do IHGGI

(7) Jornal Folha do Sul, 02 a 08/09 de 2006

Jaquelina Eli Leite Arruda - 14/12/2007